Uma Questão Institucional

O projeto “Uma questão institucional” (UQI) se desenvolveu em torno do tema da comunicação no campo político e em função de uma questão: por que na comunicação entre Estado e sociedade tende a haver repreensões e censuras? Para isso, UQI tratou do tema da comunicação como um elemento importante ao alcance da democracia direta esmiuçando a estrutura institucional em diversos códigos e signos que corroboram com o sistema burocrático e de mecanismos que não promovem a comunicação de qualidade. O projeto se dividiu em diferentes ações e trabalhos entre os anos de 2012 e 2021 na cidade do Porto.

The Artist’s Mailbox

The artist’s mailbox (2014-2021)
Caixa de correio com ações em stencil, stickers, chaves e tinta acrílica sobre folha plástica. Desenhos feitos por Eurodeputados, lápis e caneta esferográfica sobre papel, envelopes e documentos. Colagens e pintura acrílica sobre faturas bancárias e folhas de polipropileno. Sticker sobre polipropileno, máscaras para stencil, cartão postal, bloco cerâmico, chapa de ferro, mármore, corda e envelopes.
39,0 x 29,0×16,0 cm

Em determinado momento, logo após as eleições parlamentares da União Européia em 2014 e de ativa discussão pública sobre o tema de austeridade que atingia países como Portugal, Grécia e Irlanda, deu-se sequência ao projeto UQI com uma outra ação no qual optei por trabalhar por meio dos mecanismos diretos de comunicação como as cartas de correio.
O projeto “Desenho e Parlamento” visou estabelecer uma comunicação direta com os representantes portugueses eleitos para o Parlamento Europeu na oitava legislatura de 2014-2019. Foram enviadas 21 cartas a Bruxelas em diferentes envelopes para cada deputado com a descrição do projeto, convidando-os a participar num projeto artístico. Pedia-se então um desenho sobre uma paisagem, sobre um filme ou livro, sobre alguém, alguma coisa ou memória.

A Forca

Dentre os primeiros trabalhos, a ação performativa “Balcão de Apoio” tinha o objetivo de mediar a comunicação entre um cidadão e uma instituição de forma acessível, reproduzindo os serviços de balcão único ou redes de apoio ao cidadão.
Instalada em espaço público, o participante encontrava em “Balcão de Apoio” uma estrutura para aproximá-lo do envio à instituição de uma questão referente à sua situação como cidadão, no entanto, em contexto disruptivo do dia a dia. Ao invés das lojas de atendimento burocrático, havia o encontro nas paragens de transporte público ou praças e jardins.

Balcão de Apoio

Construída manualmente com materiais simples como tecidos de algodão e técnicas de stencil, a instalação embarcava no cenário institucional através de um convite no formato de perguntas: “quer colocar alguma questão à Câmara?”, “ou à Universidade?”, “e ao Consulado?”, .etc, surgindo, assim, uma série de conversas e o esclarecimento sobre diferentes problemas sociais existentes.