CO-OP

O princípio básico da organização das cooperativas agrícolas.

 

Este trabalho vem ao encontro do momento de reflexão e prática em que a pandemia nos confrontou a olhar para um modo de viver que muitas vezes não sabemos se coincide com o tempo pré-industrial, ou estamos a construir um imaginário coletivo atrelado às práticas não-ocidentais.

A pandemia evidenciou reflexões que já vínhamos fazendo sobre o consumo e alimentação. No entanto, se considerarmos que a propagação do vírus tem relação direta com o especismo na cultura alimentar, e a mutação do vírus SARS-COVID-2 poderia possivelmente estar atrelada com a criação de animais para a produção de peles, não há como não pararmos para refletir sobre a linha de produção e consumo alimentar. Sendo assim, seria preciso colocar em prática os conhecimentos adquiridos de produção local, sustentáveis, anti-especistas e saudáveis como resposta ao novo modo de vida.

Neste trabalho apresento dois diagramas do livro “The Theory of Peasant Co-Operatives” do economista-agrário Alexander Chayanov, publicado pela primeira vez em 1919.

Trata-se de diagramas que ilustram o cruzamento entre territórios através da organização que envolve a produção alimentar, da zona rural para a urbana, dos centros agrícolas para outros setores, sejam esses associativos, sindicais, de serviço, convívio ou comercialização.

Ao trazer estes diagramas em impressão riso-gráfica, optei por apresentá-los em cores, diferentemente da versão original em preto-e-branco. Isto para enfatizar as variantes retóricas do desenho e, consequentemente, possibilitar novos arranjos de sistemas que possam contribuir com especificidades únicas, particularidades de lugares, diversidade de alimentos e pessoas.

Esta diversidade de possibilidades retóricas no desenho nos permite refletir sobre os modos e linguagens de produção que estão nos limites de problemas paradoxais do conhecimento, por exemplo, entre a fenomenologia e o positivismo. No entanto, também reforça aspetos limitantes existentes na produção epistemológica do conhecimento ocidental de se traduzir o mundo da organização social e ambiental através de linhas, gráficos e paletas de cores.

“Diagram TBPOOOAC-O 01”, 2020, 42 x 29,7 cm, risography on Munken paper.
“Diagram TBPOOOAC-O 02”, 2020, 42 x 29,7 cm, risography on Munken paper.

Por isso, pergunto, em que mundo surgem as formas e a que mundo pertence a matéria-prima?

A espontaneidade quando não articulada com outros setores organizados da sociedade, como projeto político, perde força. Os saberes por trás da produção alimentar são múltiplos e muitos foram apagados da História da Cultura. Essa tem sido a maior resposta dos movimentos sociais do século XXI para a sociedade: a necessidade de nos organizarmos para manter vivo os corpos e saberes! Foi dessa forma que a curandeira de medicina tradicional e ativista dos direitos humanos Marichuy enfrentou a estruturação das camadas sociais como projeto capitalista do Estado democrático. Em 2017, então candidata à presidência do México, ela disse:

Entonces queda claro que para ellos la gente de abajo no existe. ¿Y qué tenemos que hacer nosotros? Organizarnos!”

“The Theory of Peasant Co-operatives “, 2020, 42 x 29,7 cm, risography and stencil on Munken paper.